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Ele entra no vagão. Várias pessoas, vários lugares. Mas, um lugar em especial o chamou atenção.
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Sentou ao lado de uma mulher, com cara de "estou para poucos".
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Ele:
Está frio hoje, não?
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Ela:
Já estou acostumada. — E vira-se para lado, pensando em trocar de lugar, ou vagão... só para não conversar mais.
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(Ele suspira, procurando algo para falar.)
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Ele:
A gente se acostuma mais não devia.
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(Ela vira, surpresa.)
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Ela:
Como?
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Ele:
A gente se acomoda com os fatos.
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Ela:
Mas, essa é a única opção.
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Ele:
Nem sempre.
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(Ela silencia.)
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Ele:
Mas, às vezes, não se tem o que fazer.
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Ela:
Concordo.
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(Silêncio.)
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Ela:
Você tem lábia. — E sorriu.
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(Ele olha para aquele sorriso uns instantes.)
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Ele:
Só pra você.
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Ela:
Como?
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Ele:
Você me chamou a atenção.
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Ela:
Porque?
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Ele:
Percebia de longe como você estava.
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Ela:
Como eu "estava"?
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Ele:
Fria e congelada como o tempo de hoje.
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Ela:
E quem disse que eu estava? No verbo passado, porquê?
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Ele:
Porque, olha lá fora, o sol tá abrindo entre as nuvens... como seu sorriso, que estão que radiou luz aqui ao meu lado.